Já dizia Padre Antônio Vieira em
Sermão do Bom Ladrão, no seguinte trecho:
" Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder, faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres (...) O ladrão que rouba pouco é condenado e vai pro inferno. Enquanto o ladrão que rouba muito não é julgado e acima de tudo é idolatrado. (...)"
E com esse pequeno trecho de Antônio Vieira, começo este texto.
O que já era relatado no auge do Barroco Conceptista, parece hoje, uma fotocópia do que vivemos em pela era tecnológica, como se essa parte do Sermão tivesse sido escrita à dias atrás por algum escritor crítico contemporâneo.
Infelizmente, ainda vivemos em um um mundo onde a matéria prima do capitalismo, o dinheiro, mostra como a pessoa é, ou deve ser tratada. Numa era, onde que tem mais, manda mais. Numa era, onde a desigualdade social é constantemente presente. Onde os olhos da sociedade se fecham para ver os problemas do próximo, sendo problemas financeiros ou simplesmente afetuosos, a falta de carinho. Parece, e é um clichê. Mais é esse clichê que se for posto em prática, que mudará todo o rumo da humanidade do século XXI.
Outro exemplo, parecido com o que foi mencionado no trecho do Sermão acima, mais relatando um ato que acontece constantemente nos anos dois mil, tipo um pai de família, desempregado e vitimado pela ditadura do dinheiro, imposta pelos outros de sua espécie, passa fome junto com os membros de sua casa. E vai até um supermercado, afim de infelizmente ter que roubar leite e pão para dar a seus descendentes, que imploram por um fim a fome que os atormenta à dias. Mais devido ao sistema, esse mero humano, sem mais nenhuma saída para arrumar algum outro meio de colocar mantimentos na dispensa da casa, é preso e condenado. Enquanto a maioria dos políticos no planalto central, roubam milhões do povo brasileiro e não são punidos pelos seus atos.
E o pior de tudo, é que sem nenhuma vergonha na face e esquecendo que existem valores éticos e morais, ditam que precisam de "vales", para se hospedar em hotéis de luxo, comprar ternos, etc. ou então, pregam que uma obra pública que ficaria em um valor x, mas devido à alguma greve, fenômenos naturais, etc deverá quintuplicar da quantia x. Afim de adquirir mais verbas para tentar entregar a obra no prazo estipulado, para com essa maneira, possam roubar mais de 60% do dinheiro que seria destinado a obras públicas, saúde e educação. E mesmo assim, com tanta corrupção, não são condenados e por incrível que pareça, conseguem se reeleger na eleição do mandato seguinte.
E agora, devido à esses argumentos, você não concorda com o Padre Antônio Vieira, que quem tem mais, manda mais e quem não tem nada, apenas leva a pior? Talvez isso, seja algo que herdamos de nossos antepassados, ou então, é algo que a mídia impõe para nós. Só nos resta, não nos apegarmos aos valores anti-éticos e escolher melhor nossos representantes no legislativo. Para assim sim, serem julgados de igual pra igual, da mesma forma que uma pessoa que rouba um pedaço de pão para sua família.